2005 BOM SUCESSO

BOM SUCESSO RESORT EM ÓBIDOS

Fui convidado para elaborar o projecto de 11 moradias inseridas nos lotes nº274, nº276, nº277, nº278, nº279, nº280, nº281, nº282, nº283, nº284 e nº285, do loteamento da “Quinta do Bom Sucesso”, localizado na Freguesia do Vau, concelho de Óbidos.
Com uma área de terreno de aproximadamente 9721.00 m2 , o conjunto das moradias apresentam uma área de construção bruta de 2110 m2.
O programa revela desde sempre um interesse particular na concepção de um centro de formação neste polo, de actividades ligadas às culturas do patchwork, tecelagem e olaria tradicionais nesta região, mas também formação nas áreas de desenho e pintura.
A convicção na importância deste complexo turístico e residencial para esta região, aliada a uma consciência económica realista subjacente à sua concretização, levou a estabelecer alguns ajustamentos no programa, procurando racionaliza-lo ao limite, de forma a optimizar custos, sem se perder a qualidade e a funcionalidade inerentes e definidas no programa. Para tal reduziram-se áreas, tomaram-se opções construtivas e de acabamentos uniformizadas. Fizeram-se ainda adequações ao nível da organização espacial de forma a unificar as partes com o objectivo de reduzir áreas de circulação e superfícies de isolamentos.
O facto destes lotes se encontrarem nas cotas superiores do Complexo, planalto a partir do qual o terreno desce para os 4 quadrantes: Norte, Sul, Poente, e Nascente, proporciona um domínio visual privilegiado, mas implica também, uma especial responsabilidade de forma a salvaguardar, luz, visibilidade, integração e enquadramento com os lotes adjacentes que se organizam em seu redor às cotas inferiores.
Foram respeitadas as repetições previstas no programa, Tipo 1: 5 T3 com 185 m2, Tipo 2: 4 T3 com 2 pisos de 186 m2 e ainda Tipo 3: 2 T4, com 205 e 237 m2. Embora se equacione repetições, desde a fase inicial de concepção, interpretei a sua implantação como um único projecto, como um todo, procurando manter a morfologia original do terreno e aproveitando os declives para dissimular as volumetrias, criando enfiamentos visuais objectivos, orientações precisas, nomeadamente sobre a Lagoa de Óbidos.
Embora os lotes tenham razoável dimensão, as moradias confinam com os terrenos adjacentes de forma a libertar a maior área útil possível de jardim, privilegiando a orientação solar de sul nascente e poente, bem como as referidas orientações visuais mais expressivas.
O programa das moradias é constituído por:
Tipo 1: Entrada, hall com lavabo. Sala ampla, orientada a Poente e um caso especial a Sul, cozinha e lavandaria. 3 quartos com sanitários e zonas de vestir  independentes, orientados a Sul e o caso especial a Poente.
Tipo 2: Entrada, hall com lavabo. Sala ampla, cozinha, orientadas a Nascente com vista para a Lagoa de Óbidos, no piso superior, 2 quartos que partilham sanitário de apoio à piscina 1 quarto com sanitário independente e zona de vestir, orientados a Sul, Nascente e Poente. As zonas de serviços organizam-se num piso inferior e são constituídas por garagem, arrumos, garrafeira, e casa de máquinas.
Tipo 3: Entrada, hall com lavabo. Sala ampla, cozinha, orientadas a Nascente com vista para a Lagoa de Óbidos, 4 quartos orientados a nascente 2 com sanitários e zonas de vestir independentes e ainda 2 que partilham um sanitário,  também de apoio à piscina. 
Os muros limite das casas fundem-se com as coberturas, proporcionando intimidade entre elas. Os compartimentos dissociam-se e organizam-se livremente como células independentes e autónomas. A ideia é reforçada com experiências pictóricas e introdução de pigmentos na cal, de forma a personalizar os diferentes elementos.
As edificações e respectivas implantações proporcionam maior nivelamento ao planalto conferindo maior estabilidade às 4 construções que ali surgem. Estes elementos criam no exterior, tensões e dinâmicas, estabelecendo um dialogo entre si, com a natureza, criando opacidades e transparências, orientações e sentidos, texturas e cores, resultando como partes integrantes de um todo coerente e com unidade. Surgem no jardim como elementos figurativos em movimento que emergem do edifício, contrapondo a natureza e o construído,  registando o emocional com o racional.
Existe também subjacente à concepção deste trabalho uma preocupação no que respeita à interacção e inter-relações entre os espaços bem como os percursos subjacentes.
O sistema construtivo fundamenta-se numa estrutura de paredes em betão armado. Sem soluções estruturais mistas é  possível optimizar custos, aspecto fundamental à execução deste projecto como já acima referimos. Paredes duplas e divisórias em tijolo e acabamentos em rebocos caiados ou placagem de pedra local.
A madeira, o vidro, o calcário (material característico desta região), o azulejo e o zinco, são outros materiais que se propõe para este imóvel principalmente no que respeita a revestimentos exteriores.  
Praticamente todas as coberturas serão preenchidas de terra vegetal, proporcionando um excelente isolamento térmico economicidade e uma excelente gestão e integração.  
A adequação ao terreno optimiza a gestão enérgica do edifício protegendo-o através de um natural isolamento térmico, reduzindo custos.
Os arranjos exteriores centrar-se-ão também na concepção de alguns muros limite necessários.

 

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