1998 CASA F. RAMOS PINTO

CASA PARA FRANCISCO RAMOS PINTO EM VILA NOVA DE GAIA

Este projecto situa-se num terreno de aproximadamente 1000 (mil) m2, sito na Av. Professor Egas Moniz da Freguesia de Gulpilhares, Vila Nova de Gaia. Consiste numa habitação unifamiliar, de programa especial. Tratava-se de dar resposta a uma necessidade, imposta por um trágico acidente, que vitimou um dos elementos desta família. Deste modo a casa é projectada considerando que tem de ser percorrida por uma pessoa em cadeira de rodas.
Embora a pendente do terreno seja pequena, houve necessidade de o nivelar para criar melhor mobilidade no terreno, com isto, consegui também maior intimidade, sobretudo a poente e sul. Com a constante densificação urbana, o problema da intimidade passa a ser também nesta região, um factor a considerar para manter uma boa qualidade de vida.
A casa tem uma entrada técnica ao nível da rua, com ligação à casa das máquinas, onde existe uma pequena plataforma motorizada que estabelece o acesso vertical ao corredor a um nível superior. Nesse nível organiza-se praticamente todo o programa: um grande hall de entrada e  distribuição central, cozinha, despensa e lavandaria, sala de jantar, lavabo, sala de estar e quartos. Cada quarto tem o seu sanitário independente. O quarto do meio tem o respectivo sanitário com medidas e equipamentos que cumprem o regulamento legal para handicapes. O corredor e as portas são sobredimensionados para uma boa mobilidade e interligação entre espaços. A casa organiza-se assim para permitir um franco acesso e uso das divisões por parte de um handicape, proporcionando-lhe a máxima liberdade e independência.
Existe ainda um piso superior onde se organiza a biblioteca e um pequeno escritório.
A casa fecha-se a norte e nascente e abre-se a sul e poente onde permanece uma vasta zona verde com uma óptima insolação, na qual se situa a piscina.
A organização do espaço produz uma articulação de volumes racional, unificados por uma cobertura figurativa e orgânica que confere unidade à casa, proporciona também variação de pé-direitos, criando as mudanças de escala pretendidas no seu interior.
As aberturas ritmadas atribuem intimidade e segurança, controlando criteriosamente a luz e os enfiamentos visuais, optimizando o ambiente da casa, neste  clima de acentuadas amplitudes térmicas.
O sistema construtivo resume-se a parede estrutural de betão, caixa de ar com isolamento térmico e parede dupla em tijolo, assegurando o cumprimento da legislação existente sobre o ruído e o conforto térmico.
As paredes exteriores são pintadas de branco com um embasamento em granito. A abertura de vãos é feito segundo o esquema tradicional na superfície das paredes, com a caixilharia em madeira. As coberturas são planas, de laje de betão, tela de impermeabilização, isolamento térmico e placagem de granito.
As paredes interiores são rebocadas e pintadas de branco, à excepção das inst. sanitárias e cozinha que são revestidas até aos dois metros com material lavável, provavelmente com mármore.
O pavimento interior é em soalho com caixa de ar, excepto nas instalações sanitárias e cozinha onde o material utilizado é lavável (mármore).
Os pavimentos exteriores são em calçada portuguesa e em algumas zonas em lajetas de granito.

 

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