2001 CASA LEITE FARIA

CASA NO PORTO

Este projecto situa-se num terreno de 2735 m2 onde já existe uma habitação unifamiliar, sito no gaveto da rua de António Nobre, nº96 e rua de Guilherme Braga, nº184, onde vai se proceder a um destaque com 1383 m2 de área, sobrando 1352 m2 e a edificação existente com 158 m2  de área para a construção de uma nova habitação com área de implantação de 221 m2, com entrada pela rua António nobre nº96, ficando a habitação pré-existente, com acesso exclusivamente pela rua de Guilherme Braga nº 184.
Com a constante densificação urbana, o problema da intimidade passa a ser também nesta área, um factor a considerar para manter uma boa qualidade de vida, assim o volume correspondente ao novo projecto respeita os alinhamentos das casas vizinhas. Tem uma cércia inferior às outras,  7 metros correspondente a uma cave semi-enterrada, rés-do-chão e piso 1, com uma área total de construção de 550 m2, área esta muito inferior aos valores da densidade-limite do P.D.M. em vigor.
Uma das preocupações na intervenção foi respeitar o carácter e aspectos tipológicos das construções envolventes, nomeadamente, a casa mãe. A entrada da habitação faz-se a uma cota superior à cota do terreno. Ao criar uma cave semi-enterrada, conquista-se intimidade no piso da entrada, relativamente à cota da rua. O acesso à cave e ao piso das salas faz-se com rampas, elemento que permite uma acessibilidade franca e segura.
No piso inferior estão colocadas as áreas de serviço e apoio técnico à casa (sala de máquinas, arrumos, garagem). Simultaneamente foram colocados neste piso dois quartos e uma salinha. Uma caixa de escadas central estabelece as comunicações verticais internas de toda a casa, enquanto que paralelamente coexiste uma pequena escada de serviço que liga este piso ao piso das salas.
Para além das salas de estar e jantar, o piso intermédio contém ainda uma copa, cozinha, lavandaria e pequeno lavabo.
O volume do piso dos quartos parte-se e rompe  com o alinhamento dos inferiores, situando-se este agora, em perpendicularidade com os outros,  criando assim uma protecção solar a poente nas salas, direccionado simultaneamente as aberturas deste piso para o jardim, bem como para o jardim vizinho e nunca  para as empenas.    Organizam-se 3 quartos, partilhando dois deles, o mesmo espaço de vestir e todos eles com sanitários independentes. Existe ainda uma área aberta para a caixa de escadas que funciona como um pequeno escritório.
Foi-se criterioso no desenho dos vãos de janelas. As aberturas devem ter o maior afastamento possível em relação às empenas, para uma maior privacidade quer em relação aos habitantes da casa, quer em relação aos vizinhos. De tal modo que em algumas empenas não se abrem sequer vãos.
O sistema construtivo resume-se a parede estrutural de betão e caixa de isolamento térmico interior , assegurando legislação existente sobre o ruído e o conforto térmico. O piso superior  é revestido a madeira prodema.
A abertura de vãos é feita segundo o critério anteriormente descrito, usando-se  caixilharia em aço inox, por vezes dissimulada/ protegida pela placagem de prodema.
 As coberturas são planas, de laje de betão, tela de impermeabilização e isolamento térmico.
As paredes interiores são rebocadas e pintadas de branco, à excepção das instalações sanitárias e cozinha que são revestidas até aos dois metros com material lavável, provavelmente com mármore.
O pavimento interior é em soalho com caixa de ar, excepto nas instalações sanitárias e cozinha, onde o material utilizado é lavável (mármore).
Os pavimentos exteriores são em calçada portuguesa.
A memória descritiva vem comprovar a adequabilidade do projecto com a política de ordenamento do território descrita no P.D.M., bem como todas  as  normas legais em vigor.

 

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