2000 COMPLEXO R. NA MAIA

COMPLEXO URBANÍSTICO E RESIDENCIAL NA MAIA

Após estudo do local, atendendo à proposta Camarária para os traçados viários que ocupam parcialmente este terreno e estabelecem a ligação ao IC24 e aos terrenos limítrofes a sul da mesma, através de uma ponte já construída; analisados os índices de ocupação do solo para a zona em questão e considerando as cérceas das construções preexistentes  a poente , propõe-se que a área de construção acima da cota de soleira não exceda os 80.000 m2. Os edifícios não deverão ter um numero de pisos superior a rés-do-chão + 5, correspondente a uma cércea de 18m, deste modo a área de implantação corresponderá aproximadamente a 14.000 m2, libertando assim espaço destinado a melhores acessibilidades e zonas verdes.  
Tendo desde já conhecimento de que esta zona da cidade se irá desenvolver qualificadamente através de um novo plano, tornando-se assim num novo polo urbano dentro da cidade, considerando as excelentes acessibilidades,  a boa visibilidade, particularmente a Poente, bem como a orientação solar favorável, leva-nos a escolher a habitação como o programa mais adequado a este terreno.
Uma vez que existe um relevo expressivo no terreno, pretende-se implantar os  edifícios na zona mais nivelada, a Poente, não interferindo deste modo com o arruamento de ligação ao IC 24, evitando um impacto maciço ou de grande volumetria no seu percurso e aproveitando a melhor vista e exposição solar. 
Grande parte dos traçados preexistentes do terreno, serão aproveitados, transformados em ruas com as respectivas infra estruturas necessárias para estabelecer as ligações aos edifícios.
Pretende-se também preservar as pedreiras preexistentes, organizando junto a elas um parque de uso colectivo que em muito contribuirá para o aumento de qualidade da zona.
Na primeira abordagem ao terreno e à envolvente, considerando as futuras construções dentro de dois quarteirões correspondentes ao nosso objecto de trabalho, surge a ideia de conceber sete edifícios racionais e ortogonais do tipo esquerdo –direito com orientação Norte / Sul.
Um destes volumes, o edifício a Sul, desmultiplica-se ou desenvolve-se para Nascente dando origem a um outro edifício de quatro frentes, que se vai formalmente desmembrar. Esta transformação deve-se por um lado a uma mudança de programa, e por outro à vontade, ou necessidade de romper com os parâmetros de construção envolvente, sem deixar de estabelecer um diálogo com os primeiros sete edifícios.
A transformação ou metamorfose é gradual, mas reflecte-se ainda a nível estrutural já que formas diferentes geram sistemas construtivos também diferentes. Assim este novo edifício desenvolve-se, gerando um outro, com uma escala muito superior aos demais, surge do "alongar" e desenvolver plasticamente este edifício anterior. Estes edifícios separam-se pelo traçado dos arruamentos. Porque é o edifício de maiores dimensões transforma-se também num edifício ondulante, de motivos dinâmicos. Aparentemente de sistema construtivo complexo acaba por se tornar económico ao adquirir características do edifício tipo de galerias ao eixo, espaçando assim as caixas de escadas, optimizando custos.
A flexibilidade deste edifício permite-lhe livremente encontrar planos e caminhos, capazes de optimizar as situações de incidência solar nascente/poente, e ainda ir buscar luz zenital para as galerias de acesso às habitações. Permite também, dentro das várias tipologias do programa, introduzir alterações consoante as necessidades dos futuros moradores, isto é T3 com quartos maiores, T3 com salas ou cozinhas maiores, etc.,  introduzindo características diferentes dentro de cada categoria. Permite também a introdução de variadas e personalizadas tipologias, bem como T1, T2 e T3 orientados a Nascente, ou a Poente; T3+1 e T4 de orientação Nascente / Poente, possível apenas pelo facto de cada piso ondular em orientações opostas.
É a minha expressão que dá vida a um corpo imóvel concebido por vivos, à nossa dimensão e para nos servir. Não será pois o espaço vivo?

 

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