2008 MUSEU DA ÁGUA

A pesquisa e o desenvolvimento exaustivo em desenho do Centro Cultural e Ambiental do Rio Tejo, gerou algumas ideias figurativas, essas primeiras propostas acabaram por ser abandonadas dando origem a uma outra implantação, ideia e linguagem, embora o tema se mantivesse associado à vida... humana.
Apoiei-me intuitivamente nos primeiros desenhos e ideias atrás desenvolvidos, houve um trabalho intensivo de desenho, contínuo e exaustivo cuja matéria se adequou a este novo desafio. Fui propondo e desenvolvendo o trabalho também com base num programa claramente definido. Ia apresentando constantemente o projecto à equipe de museologia e o programa foi sendo afinado. Estas ideias influenciadas pela proximidade da água do rio, surgem de um debate permanente e de uma conversa contínua em coordenação.
A água é fonte de vida e energia e está associada às culturas desde que o homem se sedentarizou, é desde sempre de importância vital para o Homem, quer a nível das culturas quer a nível da biologia.
Aparentemente um tema tão banal e natural tem uma complexidade extrema. O rio está associado à sobrevivência, é talvez o recurso mais precioso que a terra fornece à humanidade e à vida em geral, ou seja ao natural equilíbrio da natureza. A água está na base da cultura, tema de certa forma associado a um desenvolvimento cultural local, conjunto.
O desenvolvimento da figura foi adaptada ao novo terreno, ao novo tema, no leito do rio Tejo, junto à Valada numa atitude de mergulho no próprio rio.
Há uma intenção não só de encontrar o rio, de o observar à distância mas também a ambição de mergulhar e permanecer dentro, no registo de um movimento que permanece indefinidamente, ávido de conhecimento.
O próprio programa, observatório e a sua situação geográfica criou um impulso de mergulhar, entrar no rio Tejo, o impulso romântico do Garrett? A sensibilidade comovente de uma beleza natural única na procura de uma estética.
O impacto figurativo e orgânico e a própria proporção e elegância inerentes à figuração foram elementos de pesquisa resultantes da recreação através de experiências de abstracção geométrica. A associação matemática e a ordem dos losangos cuja geometria permite encontrar e coordenar os objectivos inerentes produz maior leveza e horizontalidade a um edifício desta dimensão sem reduzir a área útil necessária ao programa.
Todo o corpo está permanentemente a observar e mergulhar no rio, suspenso e a flutuar liberta o movimento do próprio rio, sendo possível navegá-lo por baixo do edifício, não interfere nas marés, não tem um impacto dramático na sua implantação.
A implantação situa-se junto a um campo de futebol no limite de um arruamento preexistente próximo das necessárias infra-estruturas de abastecimento (electricidade, água, saneamento, etc.), as quais serão aproveitadas para sustentar o novo Museu. No entanto com o desenvolvimento do trabalho verificamos que era importante o máximo de autonomia possível. Embora não protegido pelo dique, está numa cota de maré superior às cheias dos últimos 30 anos, de forma a preservar o edifício e o seu espólio em segurança.
Através da rua chega-se a uma grande praça contemplando a chegada ao edifício. A praça tem uma grande escadaria que nos leva ao cais, composto por uma sala de apoio às embarcações e este tem uma ligação directa com o rio possibilitando o embarque e a possível navegação.
No edifício, existem dois membros inferiores (Norte e Poente) onde se estruturam as entradas de acesso ao público (Norte), serviços e saída de emergência (Poente). Os outros dois membros, superiores (Sul e Nascente), correspondem a um cais no rio (Nascente) através do qual, no âmbito de uma exposição ou uma visita ao rio, seja possível o contacto directo com o mesmo e uma visita á ilha. No outro membro superior organiza-se o observatório (Sul). Estes mergulham no rio, 80 metros á frente da área de entrada. Os quatro membros que sustentam o próprio edifício correspondem a quatro pilares interligados por duas vigas metálicas estruturantes, resultando num edifício com as características das tradicionais palafitas existentes também nesta região.
A restrita área de ocupação no terreno correspondente aos quatro pilares é estudada de forma a não provocar mudanças geográficas, morfológicas e topográficas no terreno, para manter o equilíbrio natural, sem prejudicar a sensível região do vale do Tejo.
O corpo da entrada a norte organiza um grande espaço coberto de transição exterior interior, num diálogo público de grande escala, correspondente á entrada principal do edifício. A partir da entrada o percurso atravessa um anteparo, uma área de recepção confinante com a secretaria. A seguir ao corredor surgem os acessos verticais. Meio piso acima encontra-se o hall para exposições permanentes caracterizado pela entrada de luz natural que surge sempre do pavimento, luz indirecta que filtra naturalmente os raios solares e permite a visualização directa do rio. As entradas de luz assemelham-se a compostos orgânicos (moleculares e celulares) à escala do edifício. Da área de exposições permanentes, nave central de pé direito duplo surge um percurso deambulatório através das reservas visitáveis (membro virado a Nascente), do observatório (membro virado a Sul), e de uma área reservada á loja do Museu que estabelece a ligação entre os membros virados a Norte e Poente. Este último destina-se a albergar uma área de acesso restrito, correspondente à área técnica e privada do Museu. Organiza um cais discreto que funciona como entradas de serviço e saída de emergência. É composto por cais de cargas e descargas com monta-cargas onde a partir do cais os objectos são inventariados antes de seguirem para as reservas não visitáveis, armazém ou exposições temporárias. A casa das máquinas situa-se meio piso acima à direita do cais e é ventilada, tem luz natural e artificial semelhante às salas de exposições, constituída por aberturas ovais e circulares.
Através da circulação pelos acessos verticais, encontramos no piso superior, correspondente ao membro virado a norte, as instalações sanitárias. Todas as instalações sanitárias, publicas e privadas, bem como o bar e o respectivo saneamento organizam-se junto às entradas de forma a serem canalizados por gravidade directamente para os arruamentos. As águas pluviais da cobertura são devolvidas directamente ao rio.
Um piso e meio acima das entradas encontra-se o hall das exposições temporárias, a partir do qual é organizado o percurso expositivo por uma grande galeria suspensa em volta da nave central das exposições temporárias. Esta galeria tem uma relação directa com a pele do edifício que se caracteriza pelas aberturas e lanternins em forma de células, iluminando todo o espaço através de luz natural difusa conjugada com outra artificial direccionada. Seguidamente encontramos, no membro virado a Nascente, a sala de maior escala das exposições temporárias. Continuando o percurso passamos pelo piso superior do observatório no membro virado a Sul. Seguindo de sul para norte apresenta-se a galeria poente com as mesmas características da galeria nascente, simétrica e inversa através da qual se acede de novo ao hall inicial. A partir deste acede-se a uma terceira abertura correspondente à entrada da cafetariabar e eventual restaurante munidos de uma copa e cozinha.
Neste piso, o membro virado a Poente organiza uma área privada destinada aos funcionários do Museu. Assim encontramos a sala do pessoal, as instalações sanitárias e balneários, gabinetes, sala de montagem, sala de arrumos e dispensa.
Continuando o percurso de acesso vertical (membro virado a Norte), acedemos á cobertura onde se organiza a esplanada panorâmica.
Existem salas polivalentes que se organizam nos edifícios pré existentes no âmbito pedagógico, entre outros.
Os percursos exteriores e o jardim enriquecem o conjunto e estabelecem uma interacção entre os edifícios e a natureza, poética.
O sistema construtivo consiste em quatro blocos em betão armado correspondentes as caixas de escadas e elevadores (percursos verticais) ligados por duas vigas metálicas compostas (percursos horizontais). Corresponde a uma estrutura mista, a película que limita o edifício é em betão armado, delgada para reduzir peso e sustentada também por perfis metálicos (estrutura mais leve).
O revestimento exterior corresponde ao isolamento térmico, o edifício é revestido por sistema capoto, com acabamento estanhado pintado de branco. O sistema capoto é interrompido no edifício ao nível das cheias dando lugar a isolamento extrudido revestido com uma placagem branca compósita resistente á água e lavável, extra branco e que se desenvolve pelas cotas inferiores do edifício, nomeadamente nos blocos correspondentes aos quatro pilares estruturantes.
 O interior consiste na maior parte no recobrimento da estrutura metálica através de gesso cartonado, emassado e pintado de branco e o pavimento consiste numa caixa-de-ar onde se organiza a circulação de infra-estruturas bem como nas paredes e nos tectos. O acabamento dos pavimentos do piso das exposições permanentes é em autonivelante branco com a mesma textura na continuidade das paredes.
O pavimento do piso superior, exposições temporárias, bar, cafetaria e restaurante bem como as zonas privadas como a sala de montagem são em soalho de pinho americano, composto por tábuas largas com 21cm de largura e 6m de comprimento.
Todas as instalações sanitárias são revestidas a placagem de pedra ataíja.
A parte central da cobertura é constituída por um pavimento flutuante em granito, do tipo alpalhão SPI bujardado a pico fino.
Os pavimentos exteriores, praça e arruamentos constituem-se por materiais em placagem de granito alpalhão, saibro drenante com gravilha e um bom sistema de escoamento das águas pluviais.
O sistema de climatização interior, nomeadamente arrefecimento e também ajuda ao aquecimento vem a partir da água do próprio rio, sistema inovador, eficaz e mais económico.

 

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