2008 MUSEU DO VINHO

CENTRO TECNOLÓGICO E DOCUMENTAÇÃO DO VINHO E DO DESENVOLVIMENTO RURAL

O programa consiste na remodelação e ampliação do actual Museu.
Mantendo o espírito dos vários volumes independentes que se vão organizando dentro dos limites da Quinta procurou-se através desta intervenção encontrar uma ordem que permita dar unidade aos antigos equipamentos isolados, estabelecendo limites claros com a outra função, desportiva pré-existente e criando um percurso funcional que permita uma visita global lógica. É possível também a partir do parque automóvel aceder directamente ao Restaurante ou à Biblioteca e Centro de Documentação sem ter que visitar os Museus.
O Parque automóvel organiza-se no coração do complexo, concretamente no antigo jardim que permanece com as suas árvores proporcionando sombra natural, alterando apenas o pavimento para saibro, no espírito dos antigos estacionamentos públicos exteriores. A Recepção encontra-se na sua proximidade no amplo espaço do actual Centro Vinícola. A contenção visual que este grande edifício proporciona na chegada à Recepção, cria uma abertura explosiva na saída para o percurso da visita geral através da Praça que organiza o acesso aos Edifícios das Exposições Temporárias e Permanentes. Neste edifício vai permanecer o actual Auditório, o futuro Laboratório Vinícola com os respectivos escritórios no piso superior e ainda os dois Ateliers de Pintura e Música com acesso independente.
A nova Praça social organiza um conjunto de perspectivas contemplativas sobre os dois novos Edifícios de Exposição, e este conjunto é parcialmente visível do exterior da Quinta e através do percurso automóvel no sentido do estacionamento, de forma a criar curiosidade apelativa. O percurso para as Permanentes e Temporárias prevê uma escadaria de escala monumental a partir da qual se acede àqueles edifícios implantados já na cota inferior do terreno, permitindo visualizar os seus alçados principais a uma altura média. À medida que nos vamos aproximando vão ganhando escala, transportando o observador para uma dimensão transcendente. Este conjunto assemelha-se abstractamente a uma gaveta de arquivo onde se organizam um conjunto de folhas de papel ou cartolina brancas que simbolicamente retratam a história da concepção de todo o trabalho. A aventura de riscar, desenhar, gestualizar em cima do papel virgem, a procura permanente, incessante e obstinada de uma ideia transformou-se na própria ideia. O conjunto de folhas associadas que correspondem aos pórticos das Exposições Temporárias registam as alterações dos movimentos das várias figuras desenhadas numa figuração que regista um tempo à semelhança do princípio do conjunto de imagens que produzem o cinema (registo da representação artística teatral através da nova tecnologia) descrevendo assim a própria vida à qual desde tempos remotos está associada a cultura do vinho.
No edifício das Exposições Permanentes surge outra ideia, a necessidade de mais área levou à ampliação da folha através da criação de dimensão volumétrica. Neste edifício o desenho penetra no volume dessa folha e cria vazios que correspondem ao seu próprio espaço interior. Estas duas construções relacionam-se no princípio do negativo positivo, cheio e vazio, Yin e Yang, equilibram-se através dos opostos, mesmo ao nível do próprio sistema construtivo: um tem os pórticos correspondentes aos pilares e vigas dos edifícios pelo interior, o outro pelo exterior; um tem o isolamento térmico por dentro e o outro por fora; um é permanente o outro é temporário, etc. Esta complexidade obriga-me a introduzir uma ordem, cada volume é um espelho do outro, existe simetria e repetição, os dois complementam-se. A sua colocação na base, fundamenta-se numa organização de composição livre e de variação de escalas, criando motivos dinâmicos, orientações precisas, direcções objectivas.
A concepção surge literalmente dos vários desenhos, através deles a minha interpretação dá vida a um espaço concebido por vivos. Não será pois o espaço “vivo”?
A arte como construção e materialização das emoções e dos afectos. Novos caminhos, novas inspirações – a Natureza mas porquê ir beber à sua forma mais primitiva e não à sua expressão contemporânea mais desenvolvida, a vida… Humana. A forma, articulações, o físico, e o psicológico, as suas interacções. O aspecto da constante transformação e desenvolvimento na adaptação às sempre novas circunstâncias. Nada é definitivo. O passado, o agora e o amanhã. O livre arbítrio, a capacidade de decisão, a escolha, o caminho. Este exercício tem também por base a reflexão sobre a vida e a arte como meio de sua expressão. A consciência e a inconsciência. O conceito da linguagem – as artes e as letras, o figurativo – o princípio de tudo, o fim,...Ele / Ela  - Nós. A Terra, a Água e a Vida na sua expressão de continuidade. A sensualidade, o A.D.N., a sua transformação, as emoções, o belo, o desejo, a insatisfação, a inquietação, a estética, a atracção, o intemporal, o efémero, a vontade, o impulso, a fusão, o finito e o infinito. O lado sensual, o obscuro no momento do acto animal, instintivo. A inteligência emocional. A energia, a ordem, o caos, o movimento, a acção, a liberdade, a independência e a escolha. O lado emocional e afectivo humano, o seu interior, o lado espiritual, a alma e não apenas o seu lado material, físico e estrutural. A vontade de nos conhecermos melhor, explorar física e psicologicamente, a fusão, 2 em 1; o êxtase, o clímax, o prazer, a expressão artística plural. Acontecimento, cultura zen, o tantra, kamasutra, sensualidade oriental, o bem-estar.
Os dois corpos fundem-se num discurso dinâmico.
Dos edifícios das exposições o percurso de visita continua através de um espaço também central onde se organiza uma grande ramada ou latada da casta do tradicional vinho do Cartaxo. Este espaço exterior funciona como charneira de todos os edifícios e na sua proximidade encontra-se também o Restaurante, o Edifício para a Associação AMPV e outras associações, o Centro de Documentação e Biblioteca e de novo o grande edifício da Recepção, Auditório e Laboratório. Na proximidade destes espaços encontra-se novamente o parque automóvel.
Por insuficiência de área da Casa da Juventude, correspondente agora ao Centro de Documentação, tornou-se necessário introduzir posteriormente no programa, um novo edifício de raiz para a Biblioteca ou Sala Publica de leitura e audiovisuais. O desenho resulta da materialização de um antigo esquisso da fase inicial de concepção deste Centro, abandonado no inicio dos trabalhos. Assim a sua forma assemelha-se a essa antiga folha enrolada e amarfanhada, criando vazios através dos quais passa a luz.
A ideia das folhas de papel está também associada ao conceito do registo histórico milenar, através do livro.
Os edifícios pré-existentes encontram-se em boas condições e serão apenas depurados e melhorados em termos de infra-estruturas. Estamos a falar da Casa da Juventude, futuro Centro de Documentação, do edifício do Museu Rural do Vinho, futuro Restaurante e Centro de promoção de Provas e Refeições e o edifício principal da Recepção onde é introduzido apenas o Laboratório e respectivos escritórios, bem como as salas pedagógicas.
A casa Rural dos Caseiros será restaurada, mantendo integralmente a traça e divisórias, para instalar a Associação AMPV e/ou outras.
Os restantes edifícios, sede do Grupo 72 e do Grupo Ornitológico, os muros, a capoeira e as estufas serão demolidos.
O sistema construtivo dos novos edifícios consiste em estrutura de betão armado, paredes contínuas e o isolamento térmico pelo exterior, tipo sistema capoto, excepto no edifício das exposições temporárias, onde é projectado poliuretano com uma mistura de argamassa isolando assim o edifício continuamente pelo interior. As telas de impermeabilização são asfálticas, duplas, colocadas em sentidos opostos. Os pavimentos serão em placagem de calcário local. Existe uma caixa-de-ar nos pavimentos, paredes e tecto para livre colocação das inúmeras infra-estruturas. As paredes serão em estrutura de gesso cartonado perfurado criando motivos de desenho vinícolas. Também nessas caixas-de-ar encontra-se material acústico, tipo lã de rocha e ainda a luz que incide indirectamente nos espaços públicos dando assim expressividade ao desenho atrás referido. Nestas paredes de superfície branca é possível projectar imagens audiovisuais no âmbito dos acontecimentos culturais aqui existentes.
Os arranjos exteriores serão simples mas funcionais, grandes áreas em saibro drenante assente em gravilha fina e drenos centrais para devida evacuação das águas pluviais. Zonas verdes constituídas por relva e respectiva rega, bem como manutenção das velhas árvores, introdução de outras novas necessárias.
Os caminhos e a praça serão em calçada à portuguesa de calcário local.

 

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