2004 SPORT CLUB PORTO

COMPLEXO DESPORTIVO PARA O SPORT CLUB DO PORTO

O local de intervenção situa-se num terreno com uma área de aproximadamente 21000 m2, que estabelece a ligação entre a Via Panorâmica Edgar Cardoso e a marginal do rio Douro, através de um declive acentuado característico das suas margens.
O seu caracter rústico, embora de uma beleza particular no contexto com a cidade, apresenta sinais de degradação e a sua morfologia instável pode originar   derrocadas indesejadas e outros problemas  no futuro. Estes factores levam mais tarde ou mais cedo, a questionar à sua consolidação, provavelmente através da sua inevitável urbanização.
Por outro lado a sua presente aparência, como espaço verde e a sua topografia parecem-me estar intimamente ligados à própria concepção do projecto da Faculdade de Arquitectura adjacente, sendo parte integrante e importante do seu contexto.
A intervenção tem como base a compreensão rigorosa do terreno, permitindo encontrar uma ideia subjacente a uma geometrização do mesmo que permita cumprir o programa.
Nesta fase procurei estudar afincadamente as construções tradicionais que se foram efectuando ao longo dos tempos nos terrenos de acentuado declive. Mesmo em contextos culturais completamente distintos, em diferentes continentes as soluções aproximavam-se, e os resultados contextualizavam-se com a paisagem natural.
Ao enterrar parcialmente o edifício, desenvolvo-o horizontalmente pelo terreno, tirando partido da sua morfologia original, mantendo as inúmeras orientações topográficas e procurando preservar o maior número de árvores que ali se encontram à tantos anos. Neste pressuposto, o desenvolvimento do projecto obriga à concepção de desníveis, cujas superfícies aparentes do edifício, no alçado sul, correspondem aos muros de “socalcos” tradicionais, tão característicos nas regiões do Douro. Nessas superfícies é possível também desenhar com precisão e rigor aberturas que permitem estabelecer a ligação do interior com os pátios exteriores, aproveitar a melhor luz natural e criar enfiamentos visuais com a paisagem. Funcionam também como um conjunto de muros de suporte e embasamentos dos próprios edifícios da  FAUP que se afirmam à cota superior.
O programa é constituído por uma zona social com bar, restaurante, escritório, lojas e sanitários. O grande foyer de distribuição corresponde a um conjunto amplo de rampas que se desenvolve desde a cota superior à cota inferior do edifício. Através deste percurso criou-se enfiamentos visuais do conjunto com a paisagem e estabeleceram-se as ligações às diferentes plataformas.
Estas áreas comunicam directamente com os espaços exteriores, onde se encontram os três courts de ténis panorâmicos, situados sobre as lajes dos 2 courts de ténis cobertos respectivamente. O outro situa-se sobre a laje da piscina coberta.
Um nível abaixo encontram-se os balneários femininos.
Noutro nível abaixo, organizam-se os balneários masculinos, quatro ginásios, e ainda um de musculação e cardio-fitness e outro de grandes dimensões, todos eles com enfiamentos visuais sobre a paisagem obtendo uma luz natural optimizada. Neste piso encontra-se ainda a régie desportiva que comunica com todos os ginásios e um arrumo.
Existem caminhos de ligação entre a marginal e a Via Panorâmica Edgar Cardoso através das plataformas exteriores e também através do interior do edifício.
Estas volumetrias emergem das plataformas verdes como muros que criam no exterior tensões e dinâmicas, estabelecendo um dialogo entre si, com os muros preexistentes e com a natureza, através de variações de escala, ritmos, opacidades e transparências, orientações e sentidos, resultando como partes integrantes de um todo coerente e com unidade. Surgem no jardim como elementos figurativos em movimento que emergem do edifício, contrapondo o velho e o novo, registando o antigo e o moderno.
Existe também subjacente à concepção deste trabalho uma preocupação no que respeita à interacção e inter-relações entre os espaços bem como os percursos subjacentes.
O sistema construtivo fundamenta-se numa estrutura de paredes e lajes em betão armado. Neste sentido numa perspectiva minimalista, pretende-se tirar expressividade da própria estrutura despojando-a de acabamentos desnecessários.
A madeira, o vidro, o granito (material característico desta região) são os materiais que se propõe para os seus acabamentos. A adequação ao terreno optimiza a gestão enérgica do edifício protegendo-o através de um natural isolamento térmico, reduzindo custos também nesta matéria. Serão colocadas telas de impermeabilização em todas as superfícies necessárias.
Os arranjos exteriores centrar-se-ão na concepção de muros de suporte de terras no seguimento do edifício, lajes de pavimentos das plataformas e recuperação dos muros preexistentes.

 

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